DiVersxs, projeto de musicoterapia, escuta, composição coletiva e promoção de saúde, reúne artistas expoentes e estreantes da cena LGBTQIAPN+ mineira e transforma vivências em música, memória cultural e presença pública.
Aliando técnicas tradicionais de musicoterapia a tecnologias urbanas da comunidade queer e de terreiros de matriz africana, assim nasce o EP Musicovivências Queers, criação do grupo DiVersxs que vem para estabelecer uma comunicação verdadeira e falar de paixões, felicidade, encontros e também das dores de pessoas LGBTQIAPN+ da capital mineira.
A obra com seis faixas é a conclusão de um percurso de dois anos de vivências musicoterapêuticas e oficinas de musicalização que aconteceram na aKasulo – Centro de Convivência LGBTQIA+ e na Casa Sissy Kelly de Acolhimento LGBT da Prefeitura de Belo Horizonte.
O projeto foi idealizado e coordenado pelo músico e musicoterapeuta Wagner “Junim” Ribeiro, em parceria com Juliana Brito, também musicoterapeuta, e viabilizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte.

O lançamento do EP aconteceu em maio, com sessão ao vivo no Quinteiro Bar, em Belo Horizonte, no dia 7. Além do pocket show com artistas do projeto, foi realizada uma roda de conversa que trouxe diálogos entre Musicoterapia, Arte e Acolhimento LGBTQIA+ na capital mineira e exposição audiovisual dos bastidores e vivências do projeto.
MÚSICA COMO CUIDADO, TERRITÓRIO E MEMÓRIA
DiVersxs é um projeto de musicoterapia que nasce como um espaço de encontro, escuta, criação e empoderamento. A música vai além da performance e se consolida como documento vivo de resistência.
“Estamos falando de registrar histórias e sentimentos que a História dita oficial, tantas vezes tentou e segue tentando apagar”, explica Junim. “Cada encontro, cada frase dita, cada ritmo improvisado e letra construída coletivamente compõem uma cartografia sonora das experiências compartilhadas”, completa o músico.
UMA ESCRITA SONORA DA COLETIVIDADE
O conceito de Musicovivência, trazido por Junim Ribeiro, se referencia nas Escrevivências de Conceição Evaristo. “Essa bússola ética traduz uma escrita que nasce do entranhado das experiências, das vivências e transborda o alfabeto”, discorre o artista. E completa: “Ela se manifesta no corpo, na dança, no suor e, fundamentalmente, na coletividade.”
A Musicovivência, então, seria o braço sonoro desse movimento. O verso musical extrapola o papel e a estrutura musical formal e se transforma em potencial de saúde. Junim comenta que, na Musicoterapia Musicovivencial, a composição não é apenas uma ferramenta que se encerra no espaço terapêutico, nem apenas um produto cultural, mas é um rito de decolonização, promoção de saúde e empoderamento.
“Essa proposta de aplicação [da Musicoterapia Musicovivencial] nasce no cerne da população LGBTQIAPN+, mas se estende a toda pessoa e comunidade que possa se beneficiar de uma experiência que valide e celebre sua existência”, propõe.

FAIXA A FAIXA
Em “Sobreviver à Fase”, o tempo verbal é o presente. A música nasce de perguntas sobre vida plena, saúde, dignidade, paz, identidade fortalecida e tempo de qualidade. Essa canção afirma a continuidade da vida e a possibilidade de estar bem consigo mesmo, nas vozes de Emy Roots e Azzula.
Em “Povo Bunito”, o espaço urbano invade o cotidiano e o imaginário. Veronez, Edu Ruas, Cléo Ventura e BAHIA dão vida à canção homenageia a cidade e seu povo, os encontros, flertes, carnavais, resistências e afetos que atravessam as ruas de Belo Horizonte com cirandas, passos e contrapassos.
“Até que Consiga Ser Mais” canta dores em busca de suavizá-las. A canção nasce do atravessamento da violência nos encontros e do pedido de uma participante: cantar vivências travestis. É uma música sobre dor, invisibilidade, desamparo, vida e a busca por ser mais diante de uma sociedade que violenta e silencia pessoas trans e travestis, personificada na voz de Cléo Ventura.
Primeira composição do grupo, “Tudo Vira Farmácia” utiliza o conceito de Sankofa – olhar para o passado e conhecer a própria história para compreender o presente e construir futuros possíveis – para revisitar infâncias queers e trans. A música eternizada na voz de Rafa Ventura reúne memórias, perdas, deslocamentos e uma crítica à mercantilização da saúde e à patologização das existências.
“Quatro Quartos do Dia” retrata o tempo e o cotidiano. Faixa instrumental gravada em processo de improvisação musicovivencial. A inspiração veio da imagem sonora de uma tarde no ápice do dia, das rotinas, das cores, dos sons e das mudanças do cotidiano. São artistas da faixa Débora Costa, Maria Mônica, Dedé Coimbra e Bruno Banjo, com declamação de poesia na voz de Junim Ribeiro.
O disco finaliza com a canção “Sabor de Beagá”, fechando com bom humor e propondo futuros cheios de arte e vida. O encontro entre musicoterapia e carnaval irradia cores, sabores e potência transformadora. Com a participação do Bloco Salada de Frutas, a música celebra diversidade, comunidade, alegria e o fervo de Belo Horizonte.
Ouça as faixas do EP no site diversxs.com.br e nas principais plataformas de streaming de música.
FICHA TÉCNICA
Idealização e direção geral: Wagner “Junim” Ribeiro
Musicoterapeutas: Wagner “Junim” Ribeiro e Juliana Brito
Estágio Musicoterapia: Luana Meireles e Nat Nunes
Consultoria e Supervisão em Musicoterapia: Frederico Pedrosa
Produção: Amazi Produções
Assistência de produção: Jeff Ahzul
Produção musical: Wagner “Junim” Ribeiro e Débora Costa
Cantores: Marcelo Veronez, Cléo Ventura, Azzula, Emy Roots, Gabi Oliveira, Jenny Souza e Rafa Ventura
Instrumentistas: Wagner “Junim” Ribeiro, Débora Costa, Maria Mônica, Dedé Coimbra, Bruno Banjo, Juju Britto, Dani Milena Kayo Conká, Iale Máximo e Bloco Salada de Frutas
Participações especiais: Gab Vieira, Brayner, Bahia, Edu Ruas, Fred Pedrosa, Wal Almeida, Sabrina Dourado e Munyika Terra.
Participantes encontros musicoterapêuticos: Sabrina Dourado, Wal Almeida, Jhully Emanuelly, Adriely Laura, Agatha Oliveira, Munyika Terra, Wal Almeida, Cauã Santos, Luis Philipi Ferreira, Amanelion Domingues, Letizia de Souza, Carlos Santos, Thaysa Abalone, Ludymila Alves. Algumas pessoas participantes estavam como beneficiárias de medidas protetivas e, para garantia da segurança, não terão seus nomes citados.
Arranjos: Wagner “Junim” Ribeiro e Débora Costa, com parcerias de Maria Mônica em “Tudo Vira Farmácia” e Fred Pedrosa em “Até que Consiga Ser Mais”.
Captação, mixagem e masterização: Débora Costa
Estúdios: SankofaBeat e Estúdio Lira
Registro audiovisual e fotografia: Jeff Ahzul e Thaís Sheliden
Capa: Efe Godoy
Design gráfico: Sol Barreto e Walter Costa
Site: Brayner Digital
Assessoria de Imprensa: Zaíra Magalhães – Las Palozas Arte, Cultura e Comunicação
Gestão financeira: Wagner “Junim” Ribeiro