Mostra Sete Gira na Quebrada homenageia matriarcas

Obras de sete artistas negras do território trazem narrativas de memórias de mulheres fundamentais para a história da região. Performances podem ser conferidas neste sábado na sede da Coletiva Mulheres da Quebrada, com entrada gratuita.

Sete matriarcas. Sete artistas. Sete vilas. Sete giras. Mulheres diversas, e muita coisa em comum. Histórias, dores, memórias, desejos, sonhos. Desencontros, ausências, silêncios. Sempre um lugar de aconchego e descoberta que marca a potência do encontro e expande a existência de muita gente.

É nesse embalo e com uma alegria que transborda no peito que a Coletiva Mulheres da Quebrada convida para comemorar seus sete anos com a Mostra Sete Gira na Quebrada, culminância do projeto que trouxe encontros, trocas e vivências entre artistas e matriarcas do Aglomerado da Serra. A atividade acontece neste sábado, 15 de novembro, a partir das 16h na sede da associação (Rua Carlos Etiene, 32 – Serra), com entrada gratuita.

No evento, o público poderá conferir as sete obras resultantes dos encontros entre sete artistas negras do território e sete senhoras negras que são fundamentais na história do Aglomerado, suportadas em diferentes linguagens e trazendo narrativas das memórias dessas matriarcas que se misturam às da quebrada.

foto Aline Carolina

As histórias são contadas a partir dos olhos das artistas. “Cada uma dessas mulheres, do seu jeitinho, no seu compasso, no seu caminho, sustentam vidas e mundos inteiros, há décadas aqui nesse chão da favela”, antecipa Ana Beatriz Nogueira, integrante na Coletiva.

As mulheres selecionadas para serem homenageadas em vida são consideradas referências em suas comunidades, “com muita bravura, braveza, samba no pé, coragem, sabedoria, delicadeza, sagacidade, doçura, malemolência, irreverência resiliência, amor, cuidado e infinitos outros adjetivos”, completa Ana Beatriz. “O Aglomerado da Serra não seria o mesmo sem essas e outras tantas matriarcas que ainda queremos exaltar”, finaliza.

foto Aline Carolina

Mulheres negras em movimento mudam o mundo

Em 2018, a Coletiva Mulheres da Quebrada nasce do desejo de mulheres negras moradoras do Aglomerado da Serra de se unirem contra a realidade de opressão e desamparo que vivem no território.

A partir de encontros nos becos da favela para conversar sobre suas experiências, aspirações por transformações sociais, saúde física e emocional, insatisfações relacionadas aos movimentos feministas hegemônicos e outras questões, nasce a semente da Coletiva – uma insurgência contra-hegemônica, territorializada e pautada no cuidado coletivo entre mulheres periféricas, uma estratégia de resistência e enfrentamento das violências históricas e estruturais.

Hoje, a Coletiva se consolida como associação sem fins lucrativos, atuante na defesa dos direitos das mulheres do território, com foco em ações de cuidado, afeto, saúde, acesso à cultura e ao lazer, atendendo milhares de mulheres do Aglomerado da Serra e tornando-se referência nacional e internacional.

foto Aline Carolina

Obras presentes na mostra:

  1. Sonhador, da mestre de capoeira Lili Pinheiro, homenageando Dona Elídia do Carmo
  2. Doce, mas não dócil, da dançarina Tiphany Gomes, homenageando Dona Selvita
  3. A Lua, da multiartista Celina Souza, em homenagem à Dona Maria Pinheiro
  4. Linha do tempo, obra da multiartista Preta Lua, em homenagem à matriarca Eliane
  5. Xiquita Bacana, da percussionista Fabíola de Paula, em homenagem à matriarca Mara
  6. Dirinha, da atriz Érica Lucas, em homenagem à Dona Nadir
  7. Atmosfera Celeste, da fotógrafa Carol Lopes, em homenagem à Dona Maria Aparecida de Jesus Rodrigues

SERVIÇO
Mostra Sete Gira na Quebrada
Data: sábado, 15 de novembro de 2025
Horário: das 16h às 21h
Local: Associação Coletiva Mulheres da Quebrada
Endereço: Rua Carlos Etiene, 32 – Serra
Entrada gratuita
Mais informações no Instagram @coletivamulheresdaquebrada

foto Aline Carolina

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