Grupo Teresa celebra 15 anos de Samba com muita festa em BH e shows pelo interior

Banda mineira comemora trajetória e prepara novo ciclo criativo

foto Úrsula Viana

“Quinze anos não são quinze dias…” Sobre o chão dessa memória, o Grupo Teresa convida para uma agenda de atividades preparadas para marcar o aniversário. A banda mineira de samba e pagode completa 15 anos de história na música brasileira com dois projetos que prometem emocionar.

Sete Lagoas e Cachoeira da Prata recebem os shows de circulação do álbum “Grupo Teresa canta A Cada Esquina”, e a capital mineira sedia a festa “15 anos de Grupo Teresa”, honrando essa longa história de resistência e trabalho em nome do samba.

O debut de Teresa
No dia 5 de outubro, a partir do meio dia, o bar Resenha da Naty (Rua Gonçalves Lêdo, 288 – Cachoeirinha) vai receber 11 horas de festa, com direito a bolo, brindes e o tradicional tropeiro de domingo. A casa comandada por mulheres é referência na cena da Regional Nordeste de BH, região onde vivem as integrantes da banda e tradicional berço de relevantes projetos de salvaguarda do samba mineiro, como o Bar do Cacá, o Bar Tamarineira (Samba do Lavajato) e o saudoso Quintal do Divina Luz.

O Grupo Teresa sobe ao palco às 15h, com as debutantes Natália Pessoa, Fernanda Régila e Paloma Alves muito bem acompanhadas pelas musicistas Cissa do Cavaco, Flávia Bastos no baixo, Vick Ori e Jo Silva na percussão. As cantoras BAHIA, Mayra Tardelli e Naty Libânio participam com interpretações especiais e canções autorais.

Mais do que um show, a festa reafirma o vínculo do Grupo com seu público belo-horizontino, após um ano em que a maior parte das apresentações aconteceu fora de casa. “Queremos oferecer um encontro à altura da nossa história. Um show único e especial, feito para matar a saudade e compensar a distância”, reforça Fernanda, compositora, percussionista e fundadora da banda.

Mini tour
Após uma apresentação no projeto Encontros Musicais 2024, a convite do SESIMINAS, em 2025 o show “Grupo Teresa canta A Cada Esquina” chega a Sete Lagoas e Cachoeira da Prata, através de recursos estaduais da Política Nacional Aldir Blanc.

O projeto de circulação do espetáculo foi pensado como um lançamento “tardio” do primeiro álbum da banda, A Cada Esquina uma Breve História Sobre Formas de Amar, disponibilizado em 2021 durante o período de isolamento social.

No palco, o repertório passeia pelas 14 faixas do álbum, e expande a experiência sonora: composições inéditas do próximo trabalho, já em fase de preparação, e as tradicionais releituras de músicas que marcaram seus shows serão apresentadas.

“Quando cantamos músicas que não são nossas, escolhemos canções que têm a presença de mulheres como referências fundamentais, seja na composição ou na interpretação”, conta Fernanda.

Trajetória
Formado em 2010, o Grupo Teresa é composto por mulheres no palco e nos bastidores. Fernanda Régila, Natália Pessoa e Paloma Alves ocupam seu espaço no samba e no pagode com muito amor e responsabilidade.

Em sua história, se destacam o lançamento do álbum autoral A Cada Esquina Uma Breve História Sobre Formas de Amar (2021), dividir os palcos com grandes nomes como Fabiana Cozza (2024), Fundo de Quintal (2023) e Criolo (2018), e premiações de composição como o 2º lugar no #todosossons – Festival da Canção de Itabirito em 2019 e a semifinal do 49º Festival Nacional da Canção no mesmo ano.

Com influências que vão do Samba de Roda ao Rap, o Grupo Teresa une tradição e inovação em sua música, sempre valorizando referências femininas. O nome faz alusão à corda “tereza”, feita de retalhos e usada em fugas, símbolo de liberdade e força coletiva. A grafia do nome substitui a letra Z por S, em referência ao nome do ritmo Samba.

A cada esquina uma breve história sobre formas de amar
Primeiro álbum do Grupo Teresa, “A Cada Esquina uma Breve História sobre Formas de Amar”, ou somente “A Cada Esquina”, a obra apresenta composições autorais, com o Samba como fio condutor e passando por diferentes ritmos como Samba de Roda, Ijexá, Pagode e Rap. Os arranjos são criações coletivas de todas as integrantes, com direção musical de Fernanda Vasconcelos. 

foto Úrsula Viana

Participam do disco a baixista Karen Fidelis nas faixas Olha só Amor, composição de Paloma Alves e Horário Comercial, com letra de Zaíra Magalhães e melodia de Natália Pessoa, e participação da cantora pernambucana Karla Matos, conhecida pelo seu timbre característico da música sertaneja.

A produtora musical Attlanta foi responsável pelos beats das faixas Não sou Mais, uma composição de Natália, e Malbec, canção de Zaíra, Paloma e Natália, que se inspira na paulistana Sampa Crew, banda que mesclava Rap e Samba em suas canções que fizeram sucesso na década de 1990 e começo dos anos 2000.

Além de assinar a direção musical, Fernanda Vasconcelos também adiciona seu cavaquinho e violão sete cordas à faixa Meu Samba é Quem Vai Chorar Por Mim, que também conta com a percussionista Mônica Santos no repinique.

Outras participações são da flautista Raissa Anastásia na canção Saudade Não Tem Hora, e de Gabrielle Costa com seu sax alto em Olha Só, Amor. Ainda, as congas da percussionista Dani Milena e a sanfona da musicista mineira radicada em São Paulo, Cimara Fróis, encorpam a faixa Padilha, uma referência aos Sambas de Roda de Mariene de Castro.

A criatividade e o cuidado das artistas com o álbum não se restringe à música, mas está, também, na estética da identidade visual do CD. A designer Isabela Paulino criou as ilustrações da capa, a partir das fotografias de Andrezza Cajá, com direção criativa de Zaíra Magalhães.

A capa retrata as esquinas de uma cidade onde podem acontecer amores inesperados, inusitados, predestinados, inclusive – e principalmente – o amor próprio, que não é impedimento para se viver um grande amor entre duas (ou três, ou quatro…) pessoas.

A escolha da Praça da Liberdade para ser a locação dos cliques de Cajá foi para representar as esquinas que podem ser de uma metrópole de qualquer lugar do mundo, e, ao mesmo tempo, para fazer referência a Belo Horizonte e demarcar a origem das artistas.

Sérgio Villard foi quem cuidou das gravações e mixagens, e a masterização ficou por conta de Flora Guerra,  engenheira de áudio à frente da Maré Áudio Criativo.

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